segunda-feira, setembro 03, 2007

Da memória

Quando andava no 1º ano do ciclo, vi este concerto na televisão. Juntei dinheiro e comprei, numa discoteca que existia ali na Figueirinha, ao lado da Cristabela, e que hoje é um stand de automóveis, o duplo álbum.
Lembro-me de ter ficado maravilhado com o pequeno livro de fotografias que vinha com os discos e que tinha não só as letras de todas as músicas (foi o meu melhor e mais eficaz livro de Inglês!) como fotografias desse concerto histórico, de Setembro de 1981.
Ainda hoje tenho o velho e gasto disco duplo. Entretanto tenho o CD e o DVD também. Raramente lá volto, mas hoje aconteceu. É como voltar ao autocarro que apanhava manhã cedo na Rua de Belém e me levava para Nova Oeiras, para a escola que ainda nem estava acabada. A escola do primeiro beijo, das futeboladas épicas, a escola onde fui Bartolomeu Dias numa peça de Teatro, num texto que misturava Camões e Pessoa, tudo nuns calções de fazenda, que picavam. A escola onde uma professora de português me ganhou o coração para sempre quando me disse: "Tu és especial."
Entre Homeward Bound, Fifty Ways To Leave Your Lover, America, Me And Julio Down By The Schoolyard, Mrs Robinson, The Sound of Silence, Late in the Evening, The Boxer, etc recordo a descoberta de uma série de canções extraordinárias, que acabaram por me marcar para sempre.
E hoje ao tropeçar no clip de Old Friends, num blog, comoveu-me essa recordação.
Anos mais tarde, vi o Paul Simon no Estádio de Alvalade (Rui Veloso na 1ª parte), e foi igualmente marcante.
Mas aquele dúplo álbum, o inglês desbravado naquelas letras, que ainda hoje sei de cor, foi e é parte de mim para sempre. É um dos discos da minha vida.
Still Crazy After All These Years.

13 Comments:

At 8:40 da tarde, Blogger bU said...

Um dos discos da minha vida, também... Oferecido pela minha primeira namorada.
Inesquecível...

 
At 10:09 da tarde, Blogger Tigger said...

Escrevo este comment não tanto pela memória do álbum mas mais pela memória da Figueirinha. Duranten 21 anos da minha vida vivi numa praceta do outro lado da rua da Cristabela do Sr. João e da D.Isabel, ao pé da Varanda do Bugio. Acho que não poderia ter havido sítio melhor para passar toda a minha infância. Aquelas pracetas cheias de miúdos a brincar na rua, às escondidas, à sirumba, sem preocupações de maior.É pena constatar que provavelmente estas gerações de agora não poderão usufruir do mesmo.
Só queria partilhar isto :)

 
At 10:15 da tarde, Blogger Jonas said...

Vi provavelmente o mesmo programa (estamos na mesma faixa etária), também juntei uns trocos (700$00 para ser mais exacta), e foi o meu primeiro LP. Mesmo meu, comprado por mim. Também me lembro do livrinho (que na versão CD perdeu a mística). Os meus pais estranharam o gosto, mas pactuaram.
E também vi Paul Simon ao vivo, no Restelo (ia jurar que tinha sido Restelo e não a minha alma benfiquista a bloquear uma ida ao estádio do sporting).

E sim, estranhamente, é um dos álbuns da nossa geração, muito posterior à geração para a qual foi originalmente produzido.

Cheira-me que o meu filho (de 9 anos) também vai gostar.

Essa é definição de clássicos, são intemporais

 
At 10:26 da tarde, Blogger I said...

ih! essa fazenda que pica! Eu tinha uma saia-calça que abomino até hoje. Nem vê-la à frente.

 
At 10:56 da tarde, Blogger Just a blog said...

Foi este o disco que me deu a conhecer Paul Simon e depois outros vieram (já a solo) uns muito bons outros nem tantos mas nenhum como este todas as canções são um hino.
EXPECTACULAR!!!!

 
At 2:14 da manhã, Blogger k said...

Eu tambem escrevo pela memoria da Figueirinha... Vivi 29 anos na Avenida de Brasilia.. Ate vir para Macau.. E tive uma professora de Portugues na Conde de Oeiras que me marcou imenso tambem. Judite penso ser o seu nome.. ou Julieta.. isto de chama-las so de setoras eh o que da..e morava pela Figueirinha tambem. Da discoteca nao me lembro. Do primeiro beijo, dos campeonatos de futebol, do temporal que quase nos levou os telhados todos da escola.. isso sim. Abraco!

 
At 8:19 da manhã, Blogger 9MM said...

Correndo o risco de desvirtuar o post do Pedro, venho também relembrar os tempos da Figueirinha. Eu era da Rua de S.Paulo, a famosa rua das oficinas. Tb me lembro com mta saudade dos magotes de miúdos que eramos, a jogar á bola na Canoa e nos Marretas. É de mim ou a Figueirinha era como um mundo, onde tudo era tão longe e toda a gente se encontrava.

ps. quem não adorava entrar á socapa no Bungo e no Las Vegas pra jogar umas moeditas nas máquinas.

ps2. Pedro, está na altura de um post 100% bairrista!

 
At 2:44 da tarde, Blogger mãe de dois said...

Tenho 30 anos e este disco também marcou a minha adolescencia. Um primo mais velho tinha este album que gravei em cassete e ouvia vezes sem conta. Enquanto os meus colegas ouviam coisas que não me diziam nada eu ouvia: Paul Simon, Janis Joplin, Creedence Clearwater Revival, Cat Stevens, Gary Moore, John Lee Hooker...e tantos outros bons musicos. Agora vejo como me tenho acomodado a ouvir apenas rádio e há tanto tempo não ouço outra música. Infelizmente temos poucas rádios que passem boa música , limitam-se muito ao que é comercial...

 
At 3:00 da tarde, Blogger AnaBond said...

tenho 32 anos, e era pikena e ouvia esse disco sem parar... ainda hoje penso como era capaz.

mas sempre gostei.

 
At 9:13 da tarde, Blogger Karlotta said...

36 anos!!!!
Contam-se pelos dedos de uma mão as letras que não sei de cor e salteado.
Pedro, escrevendo agora sobre o Programa da Manha, eu tb cantava a versão do Sandokan sem cuecas e sem soutien....
Somos os dois de 71??????????
Acho que sim!!
Eu sinto.

 
At 12:43 da tarde, Blogger Crezia said...

Também vim comnetar pela Figueirinha, embora goste muito deste concerto.
Também andei pela Canoa e Marretas e espreitava os rapazes mais velhos do liceu à sexta à noite no Bungo.
Cristabela rula!

 
At 6:20 da tarde, Blogger Maria Papoila said...

Sou muito mais velha que vocês, mais da idade dos vossos pais. Em 1969 fui apresentada ao Simon e Garfunkel e eles teem sido uma grande companhia até hoje, juntos e separados. Tenhos os discos do Paul Simon e do Art Garfunkel. Foi um sonho ter visto o Paul Simon em Alvalada, com uma primeira parte estrondosa do Rui Veloso. Mais tarde, por volta de 1996 fui ver o Garfunkel ao Coliseu. Outro grande concerto. Fico entusiasmada por ver gente da camada das minhas filhas apreciarem a mesma música que a minha geração quase gastou de tanto ouvir e cantar.
Já agora, também vivi na Figueirinha, na Av. Brasília, também fui à Cristabela, à Milá, à mercearia do Sr. João, ao cabeleireiro da D. Celeste, à Dra, Manuela Pinéu, à Canoa e ao Bungo. Engraçado, não é?, duas gerações com as mesmas recordações?
Obrigada Pedro por teres trazido estas lembranças.

 
At 9:43 da tarde, Blogger Energúmeno said...

Eu tenho 18 e por influência paterna tambem para mim é este um dos discos preferidos. Acho que foi das minhas primeiras audições de um disco, na altura vinil, "a sério". Marcou-me e marca-me como mais nenhum. Tento fazer chegar este disco à minha facha etária, tão contaminada por MTV e outras que taís, mas tem sido uma batalha inglória.

 

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