segunda-feira, janeiro 08, 2007

Dah!

Um cartaz da campanha do Não ao Aborto pergunta se queremos pagar, com os nossos impostos, as “clinicas de aborto”. Não me vou por aqui fazer campanha nem pelo sim nem pelo não. Trata-se de uma matéria individual, que é de consciência e não de politiquice, e cada um que decida como quiser. Agora a pobreza intelectual deste argumento, torna-o, aos meus olhos, irresponsável, demagógico e desonesto.
Julgo que mesmo as pessoas que defendem o não podem sentir um inevitável embaraço pelo cartaz. É estúpido e é um exemplo do chico-espertismo bacoco que corta qualquer possibilidade de um debate são.
Lamentável.
E acho que todos nós, independentemente da nossa posição sobre este referendo, devíamos refletir sobre a apresentação de argumentos como este, e do que isso diz sobre a sociedade que somos.

56 Comments:

At 10:39 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Concordo perfeitamente, devem de ter contrado o publicitário que fez a campanha de um dos partidos derrotados nas eleições.

 
At 10:44 da manhã, Blogger Bxana said...

Concordo, acho que há argumentos melhores para ambas as partes, tipo mais...humanos!

Agora este tipo de argumentos só me faz lembrar que no fundo, para alguns, tudo não passa de números e estatísticas. As pessoas que se lixem...

 
At 10:47 da manhã, Blogger Nuno said...

Sinceramente não me espanta nada este tipo de argumentos... Acho até que eles têm sido incentivados nos ultimos tempos por demagogias "bacocas" que têm vindo ao de cima por parte de responsáveis das diversas actividades deste país... e geralmente isto até vem dos sectores onde quase nem se paga impostos... que todos bem sabemos de onde é...

Cumprimentos

 
At 11:14 da manhã, Blogger A.S. said...

Tens toda a razão!

Tanto de um lado como do outro, temos vários exemplos de frases e atitudes miserabilistas. Olha o Teixeira Lopes que acha que o Rio Rui não devia ter sido convidado para a presentação de um dos movimentos do "sim", porque apenas o faz, segundo este ilustre sociólogo, para "limpar a sua imagem política"... Mas anda tudo louco?

 
At 11:38 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Para além desse cartaz, existe ainda um outro que diz qualquer coisa do género "Abortar por opção, sabendo que já bate um coração?"

Seria bom que, de uma vez por todas, alguém fosse capaz de explicar às pessoas o que está realmente em causa neste referendo, que não é dizermos se somos ou não a favor da prática do aborto, mas sim se somos ou não a favor da sua despenalização, se achamos que a prática do aborto voluntário deve ser decidido por quem o pratica e não por uma qualquer lei.

E o pior de tudo nesta campanha é que vai haver pessoas que não vão compreender onde estão os argumentos falsos e que se vão deixar influenciar por isso.

Aconselho a leitura atenta deste texto da autoria de Daniel Oliveira.

 
At 12:04 da tarde, Blogger Joaquim Varela said...

Assino por basixo e já pensei exactamente o mesmo. O mais grave é que esse tipo de argumento colhe, como foi (ou ainda é, porque não sei se a consegui convecer do i que quer que seja) da minha progenitora.

 
At 12:37 da tarde, Blogger Frederico said...

Boa tb não kero pagar com os meus impostos uma assembleia da republica cheia de chulos e ando a pagar, por isso chego a pensar onde será melhor gasto o dinheiro, dar luxo aos chulos ke não fazem nada ou pagar uma clinica de aborto

 
At 12:45 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Deparei-me com esse outdoor quando saí do escritório no outro dia, e achei estupido como tudo. E sou contra a despenalização do aborto. Ao invés de se argumentar a escolha de uma posição, o truque é inviabilizar a outra e ainda por cima fazê-lo com este tipo de linguagem, que é mais ou menos aquela que as vizinhas utilizam quando se encontram no estender da roupa. what a world! No outro dia recebi um mail, que basicamente reflectia a opinião de um ilustre desconhecido e cujas linhas de pensamento, a próposito do sim, era mais ou menos do mesmo género e passo então a citar: "os defensores do não fazem com que as mães tenham de ir abortar a clinicas clandestinas". Pergunto-me, será este um acontecimento causa efeito? Já estou a imaginar os defensores do não a acompanhar as mães às clínicas. E depois...enfim...quais mães? Épa, vou beber um café, isto é mesmo o país que temos!

 
At 12:55 da tarde, Blogger francesco said...

O cartaz não diz nenhuma inverdade, ou diz?? Se o aborto for praticado em hospitais públicos, será financiado através de quê?? As mensagens, gosta-se ou não se gosta, agora dizer que fazem demagogia, é querer menosprezá-las e não rebater o seu conteúdo. O Pedro Ribeiro atira aqui esta nuvem de acusação, como se quem é contra o aborto não se pode manifestar contra a possibilidade de os seus impostos pagarem tal prática. Caro Pedro, pode abster-se de vir para o seu blog com a discussão, mas quando traz o assunto à baila, mais honestidade intelectual, se faz favor.

 
At 1:54 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Pronto, tás feito.
Criticaste um cartaz do "não" és desonesto intelectual...mais um bocadinho ainda chegas a terrorista abortista.

 
At 2:10 da tarde, Blogger Sir said...

É que nem é só o facto de ser um argumento absolutamente desonesto.

Não será fácil perceber que, caso a criança nasça, a começar pelo parto e continuando pela vida fora, vai ter muito mais encargos para o Estado, que serão pagos com os mesmos impostos? Para mim é.

 
At 2:44 da tarde, Blogger Pedro Fonseca said...

francesco, a questão não é essa. A questão é que se estão a preocupar mais com os seus bolsos do que com a vida de familias. Afinal defendem ou não a vida? Parece que o mais importante afinal é o dinheiro... Contraditório não é?
Enfim, nada que não esteja habituado nos partidários do "não"...

 
At 3:00 da tarde, Blogger Joaquim Varela said...

Claro que não diz nenhuma mentira, Francesco, mas acho que não é nem honesto, nem conta toda a verdade, daí ser demagógico e apela à ignorância ou falta de exercitar a massa cinzenta.

Diz-me uma coisa, preocupas-te se os teus impostos financiam IVG´s feitas clandestinamente e que depois vão parar às urgências hospitalares, quando surgem complicações? Ou elas não existem? Ou serão sequer contabilizáveis? Ou darão entrada nas urgências, como Abostos expontaneos? Ou como uma outra coisa qualquer?

Eu pessoalmente, prefiro que sejam feitas, com a comparticipação financeira da/o interessado, mas garantindo que haja dignidade pela vida humana.

É que duma coisa não se tenha a mínima dúvida, legal ou "ilegalmente" sempre se fizeram e vão continuar a ser feitas, com ou sem as condições mínimas para um ser humano.

 
At 3:46 da tarde, Blogger francesco said...

Não tomo a questão pela perspectiva economicista, nem entendo o cartaz desse modo. O que se passa é que, para mim, o Estado tem que proteger a vida, em particular a de um feto, que com 2, 10 ou 20 semanas tem a mesma expectativa de nascer, que deve ser protegida. E por conseguinte, acho contrasenso vir o Estado financiar eventuais interrupções da gravidez. Não é para essa finalidade que eu quero contribuir com os meus impostos. Quanto aos abortos clandestinos, quando as mulheres vão parar às urgências, claro está, que estando a sua saúde em perigo, deve a mesma ser salvaguardade e aí não vejo nenhum problema. Mesmo que resulte um aborto. Aliás, essa possibilidade está consagrada na nossa lei.
O facto de os abortos clandestinos continuarem a realizar-se mesmo que ganhe o não, para mim não é justificação para votar sim. É que o homicídio também é proibido e não deixa de ocorrer todos os dias.
Mas a questão é que se o objectivo dos promotores do referendo é a despenalização das mulheres que abortam por necessidade, com o qual estou de acordo, por que razão o efeito será maior que a causa em caso de desfecho favorável?

 
At 4:42 da tarde, Blogger marília said...

Isso mesmo. O cartaz é mais cretino que já vi. Baralha, insulta e não explica nada.

 
At 5:01 da tarde, Blogger Minerva McGonagall said...

Esse argumento foi um golpe muito baixo, mas acho que funcionou, infelizmente!

 
At 5:32 da tarde, Blogger João Paulo Cardoso said...

Qualquer causa defendida com mais paixão do que razão, acaba por sair dos eixos.

Há que manter o bom senso na defesa da nossa posição e a tolerância por posições contrárias.

E acrescento que deixo de falar com quem votar "não".

 
At 5:47 da tarde, Blogger Ana Catarina Santos said...

A isso chama-se "falta de argumentos"!!!


Beijo

 
At 6:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Mas será que as pessoas já leram bem a pergunta que vai ser referendada?? É que eu já a li várias vezes e não vejo lá nada a dizer que vai ser o SNS a "fazer" os abortos!! Onde é que diz na pergunta que os abortos vão ser realizados obrigatoriamente nos hospitais públicos?? Fala apenas em estabelecimentos devidamente licenciados para o efeito!!

As pessoas deviam apenas ler com atenção a pergunta e votar somente sobre o que lá está questionado!! Não se pergunta sequer se concorda ou não com o aborto, apenas se concorda com a despenalização das mulheres que decidirem fazer a IVG!!

Enfim...eu que ainda estava esperançado que o debate desta vez não descambasse, afinal parece que não!!

 
At 7:31 da tarde, Blogger João Filipe Ferreira said...

outra coisa engraçada é os defensores do não a dizer que só Deus é que pode tirar a vida e não o homem e no entanto aplaudem de pé a execução do saddam!!

se só Deus tira a vida pk é que estavam do lado de quem executou o saddam?

fica a questão no ar!!!

 
At 10:54 da tarde, Blogger Sergio21 said...

discordo com a menssagem deste cartaz mas concordo em pleno com a outra:"Abortar por opção, sabendo que já bate um coração?".

Enfim tenho pena que o sim tenha tanta força... tambem concordo com um comentario anterior wem que dizem que quem é a favor é equiparado a um terrorista...

 
At 12:58 da manhã, Blogger Paulo L. said...

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At 1:01 da manhã, Blogger Paulo L. said...

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At 1:08 da manhã, Blogger Paulo L. said...

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At 6:50 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Como o argumento do direito à vida já não funciona, optam por aquele que os portugueses sentem mais na pele (neste caso, na carteira): Impostos.

Mas se pensarmos bem, hoje já pagamos com o dinheiro dos nossos impostos através de pensões a mulheres que ficam inválidas por abortos feitos sem condições.

 
At 9:45 da manhã, Blogger francesco said...

O cartaz não diz que vêm aí mais impostos, ou diz? Até porque o Ministro das Finanças prometeu que até ao fim da legislatura não aumentaria impostos. O cartaz não desmente, e ninguém pode desmentir que sendo os abortos praticados no SNS, estes poderão ser financiados com parte dos nossos impostos. Ou será que é o ministro da saúde que vai tirar dinheiro do seu próprio bolso e os custear? Parece que não.
E isto não é ser demagógico. Não é estar mais preocupado com o meu rico dinheirinho do que com as crianças ou as mulheres. É não querer essa coisa miserabilista de os meus impostos poderem contribuir para interrupção de gravidez, quando o Estado deve promover políticas contrárias de fomento de natalidade, etc. E ao demitir-se de tal função, o Estado dá um péssimo sinal à sociedade.
Demagógico é sob a capa aparente de quererdescriminalizar as mulheres, se pretender algo mais lato que é a liberalização do aborto, o que pressupõe uma dignidade menor para a vida intra-uterina.

 
At 10:23 da manhã, Blogger Olinda Dinis said...

Então e temos que pagar com os nossos impostos doenças respiratorias, cancros e todas as outras devido ao tabagismo?

 
At 10:50 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Há certas vidas, que tão pouca dignidade têm, que mais valia terem sido interrompidas, logo após o seu início...

 
At 10:51 da manhã, Blogger Alcabrozes said...

Só uma reflexão:
Acho que ninguém é a favor do aborto;
O que se discute é a despenalização da IVG até às 10 semanas, "liberalizar" seria despenalizar a IVG em qualquer altura;
Mas afinal os defensores do não são pela vida ou não? Nos casos de Trissomia 21 já não é vida? Nos resultados da violação já não é vida? Pelo vosso ponto de vista, a vida começa na concepção, certo? Logo, toda e qualquer intervenção externa que termine qualquer gravidez é crime, certo?
E tendo em conta que esta questão de quando começa a vida divide a comunidade científica, acho que anda por aí muita gente com certezas a mais e nas tintas para as vidas dos outros!

pedro a.

 
At 11:30 da manhã, Blogger francesco said...

Olinda, dizes bem. Doenças. Que eu saiba a gravidez não é nenhuma doença. Mais, esses cancros que tu financias, estamos a falar de salvar vidas, não de as interromper.

Joaquim, não há vidas com maior ou menor dignidade. Todas têm a sua, e por igual.

Alcabrozes, despenalizar até às 10 semanas é igual a liberalizar até às 10 semanas, ou será que não? 10 semanas não são 10 dias que eu saiba, e é pegar em ecografias e ver em que estado tá o feto...
Esses casos que tu citas estão consagrados na lei, há quem ache bem, há quem ache mal,não é a questão que está em cima da mesa neste momento.

 
At 12:11 da tarde, Blogger Patrícia said...

Põe DUH!!!!!!!!!!!!!!!! nisso!Há gente tão poucachinha, tão poucachinha, tão poucachinha....

 
At 12:19 da tarde, Blogger Nuno Romano said...

Francesco, acho bonito que tenhas a tua opinião e as tuas ideias. E que as saibas e, principalmente, as possas defender e praticar da melhor maneira que souberes, sem um enquadramento legal que te meta na prisão por isso. Agora quando o assunto é mexeres no corpo das outras mulheres, deixa-as decidir por elas próprias, ok? É disso que se trata o referendo.

 
At 2:28 da tarde, Blogger Sir said...

O único argumento que me faz pensar duas vezes é o facto de ser uma política anti-natalista, num momento em que as estatísticas nessa matéria são assustadoras.

Se lançassem aqui também uma política semelhante à lançada na Alemanha, podia ser que não só as mulheres não interrompessem a gravidez como as indeminizações lhes poderiam servir de sustento.

 
At 8:58 da tarde, Blogger Joaquim Varela said...

Não há vidas com maior ou menor dignidade? Mas em que mundo vives francesco?

Há muita e muita malta que logo à partida, parte em clara desvantagem. Como já aqui foi referido, isto não se trata de ser ou não a favor da IVG, mas sim da sua penalização criminal ou não. E também como já foi dito, acho que toda a gente é contra a mesma ( Não acredito que alguém as faça de ânimo leve).

Somente certas circunstâncias, fazem crer que essa é a melhor opção. Ou será preferível, em certos casos, largar a malta nos WC´s de Centros Comerciais, para começar a vida na maior das dignidades?

 
At 5:37 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Tenho uma prima que é assistente social. Este Natal levou para casa dela um dos bebés da instituição onde trabalha para que tivesse prendas e passasse um Natal em "família". Uma família que não é a sua e não virá a ser.

Um bebé de 9 meses com uns olhos escuros, lindos e cheios de tristeza. Tristeza! uma grande tristeza num bebé de 9 meses.

Agarrei nele ao colo, agarrou-se a mim imediatamente como quem tem fome e sede de colo e carinho e olhou-me fixamente nos olhos com um olhar triste de suplica como que pede: "ADOPTA-ME! Leva-me para casa".

Saí de lá arrasada. E fiquei a pensar: "que raio de mãe consegue abandonar um bebé assim numa instituição para adopção. Para que raio o deixou ela nascer?". Como este, nessa mesma instituição (Em Abrantes ou por essa zona), estão mais 11 bebés por volta dessa idade. Fora os mais novos e todas as crianças que nunca foram adoptadas. E eu pergunto? Acham os que apoiam a "vida" que esta era a "vida" que aquelas crianças desejam? Acha o Francesco que estas vidas são tão boas como as da minha filha de dois anos que tem todo o colo e carinho que quer e precisa? Não teria sido melhor para todas estas crianças sem família nem sequer terem nascido?

 
At 5:46 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Ainda digo mais.

Como disse a instituição é em Abrantes (uma zona do país muito pequena) e só nela existem 11 bebés por volta dos 9 meses, fora todas as outras crianças e bebés. Imaginem o número que existe pelo país fora.

O cartaz pelo não diz que não quer que os nossos impostos paguem as IVG nos hospitais públicos. E se os apoiantes do SIM viessem dizer que quem os tem que os crie, e que não temos de andar a pagar, com os nossos impostos, a vida dos filhos dos outros que nasceram para ser abandonados à sua sorte, em instituições pagas por todos nós?

Neste caso se calhar o Francesco já achava que era um argumento demagógico. E era. Era sim senhor, porque essas vidas, infelizmente, nasceram e cabe a cada um de nós tentar dar-lhes um pouco de dignidade. Mas para que nasceram? onde estão as mães dessas crianças e onde estão os "apoiantes da vida" aos milhares e milhares neste país a irem adoptá-las ou simplesmente levá-las para casa como famílias de apoio? Onde estão?... ah... estão no conforto do seu lar onde não têm de se preocupar com a vida dos outros nas quais interferiram antes de nascer...

 
At 12:41 da tarde, Blogger francesco said...

A mãe deixou-o nascer porque não lhe negou o direito à vida. Mesmo sabendo da adversidade que possa enfrentar. Mas do mesmo modo que te encheste de tristeza, muitos casais, não conseguindo ter filhos, se enchem de alegria por poderem adoptar uma criança. Dando-lhe o conforto que tu dás à tua filha.

Quanto aos que estão no conforto dos seus lares, isso é exclusivo de quem é do não?? Pergunto. Tens alguma estatística que comprove que a maior parte dos que adoptam são do Sim? Tens alguma estatística que demonstre que aqueles que reunem melhores condições para adoptar e não o fazem, pertencem ao campo do não?? Quem é essa gente?
Agradecia uma resposta. Porque isto de atirar as coisas para o ar somente com base em impressões pessoais vale o que vale...

 
At 12:52 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Pagámos nós também essa "infelicidade"?

 
At 2:10 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Francesco, lê o que escrevi decentemente antes de atacar. Por acaso disse que só os do "Não" não adoptam? não foi isso que disse. O que disse foi que os apoiantes de nãos e abortar deveriam então dar um direito a uma vida melhor às crianças que nascem sem as mães as quererem, porque são os apoiantes do Não quem apoia esses nascimentos indesejados.

Quanto a essas crianças darem alegria a pais que não os podem ter, a quantidade que é adoptada é, infelizmente muito pequena para as necessidades. E, infelizmente, mesmo que a IVG seja despenalizada, vão continuar a existir crianças mal tratadas a precisar de novos lares, crianças órfãs de pai e mãe a precisar de um novo lar, etc... por isso não é deixando nascer todos os indesejados que se traz mais felicidades, antes pelo contrário.ykveavnu

 
At 2:35 da tarde, Blogger Salseira said...

Mais uma vez a confusão está lançada com a questão do referendo.

Mais uma vez vamos andar a debater um assunto com argumentos que não fazem sentido e que são insultos à nossa inteligência (de quem os ouve e de que quem os utiliza).

Mais uma vez se vão discutir coisas que não estão em discussão.

Já aqui foi dito que ninguém é a favor do aborto. Pode ser-se a favor da despenalização mas isso não quer dizer que se esteja a torcer pelo Sim.

Mas, sinceramente, ainda que as campanhas fossem correctas não me parece que este seja um assunto cujo debate traga alguma alteração ao resultado do referendo. É um assunto pessoal e da consciência de cada um e por isso penso que todos nós já teremos a nossa opinião formada.

O que seria importante discutir seria os efeitos adversos da abstenção, seja para um lado ou para o outro. Porque quantos dos que discutem afincadamente oa ssunto depois vão lá colocar o seu voto?

Eu já votei sim e vou voltar a votar. Espero não me voltar a desiludir com amigos que defenderam acérrimamente as suas opiniões e depois não puseram os pés nas mesas de voto!

Já agora, fica aqui aquele que eu considero ser o melhor argumento pelo sim: "Voto SIM porque o aborto não é obrigatório!"

 
At 3:22 da tarde, Anonymous Anónimo said...

A pergunta do referendo é tão simples e no entanto, a objectividade perde-se no confronto de argumentos despropositados (válidos e não válidos, inteligentes e não inteligentes).

«Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, se realizada, por opção da mulher, nas primeiras dez semanas, em estabelecimento de saúde legalmente autorizado?»

SIM, concordo.
Como também concordo e discordo com outras coisas mais, mas não é isso que me estão a perguntar.

Esta lei é sobre a despenalização do aborto, em determinadas circunstâncias específicas, referidas na pergunta e é apenas isso. Não é uma lei que pretenda regular o aborto, o "direito à vida", e todas as questões associadas, que vão surgindo na argumentação. Para isso, o debate tem que continuar noutras instâncias e com a participação de todos, e no sentido de agir sobre os problemas, e criar uma sociedade melhor, promovendo o planeamento familiar e a justiça social. E para isso é preciso a participação de todos, que ultrapassa o acto de votar neste referendo. Há que procurar estar informado e promover o debate, em todos os locais e agir sobre o que se passa. E há que ir votar, em todos os actos eleitorais e referendários. Não basta ir votar neste referendo e dar o assunto como encerrado. É só a ponta do iceberg.

 
At 4:00 da tarde, Blogger francesco said...

Sara, eu não ataquei, apenas pedi que sustentasses a afirmação de "e onde estão os "apoiantes da vida" aos milhares e milhares neste país a irem adoptá-las ou simplesmente levá-las para casa como famílias de apoio? Onde estão?... ah... estão no conforto do seu lar". Gostaria de saber quantos são, e se com base nesse raciocínio podemos presumir que quem tem a generosidade de adoptar é na sua maioria pessoas que porventura devem ser pelo sim no referendo.
Concordo contigo quando reconheces que a lei de adopção é incipiente, e que passos maiores deviam ser dados. Mas o governo actual, de maioria, combate-se neste momento pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez, e não por políticas de fomento à natalidade, ou semelhantes. E quem diz este governo, diz o anterior. Todos estão a falhar.
Sara, o desejar-se ou não um nascimento, aos dias de hoje, com os métodos anti-concepcionais, e toda a informação existente, só mesmo por ignorância é que alguém cai nessa situação. Mas mesmo caindo, então estás a tomar o plano de deixar ou não nascer para a vertente do capricho, porque eu não quero, logo não deve nascer. Ora, isso não deve ser assim. O direito à vida é inalienável e a todos deve assistir o seu direito.
E a consequência de uma despenalização é a possibilidade de se poder negar esse direito. Tão simples quanto isso. Porque há muitas maneiras de despenalizar e esta é a mais directa. Porque não uma cláusula que previsse o estado de necessidade?

 
At 5:14 da tarde, Blogger Salseira said...

Francesco,

Achas mesmo que a maioria das mulheres que fazem um aborto(e já não digo todas para salvaguardar alguma excepção) fazem-no por capricho? Porque agora não dá jeito? Achas mesmo que alguém faz algo tão doloroso por capricho?

É mais um dos argumentos que não faz sentido.

És livre de ser contra a despenalização do aborto mas não digas que é porque se faz por capricho.

Provavelmente és contra por princípio e achas que, pesado tudo, ainda assim és pela vida da criança que vai nascer. É um direito teu.

Já não é um direito ofender ninguém. E dizer que uma mulher fez um aborto por capricho pode ser uma ofensa para muitas mulheres que tiveram de o fazer por inúmeras situações.

 
At 5:32 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Então e aquele outro do "quanto custa um aborto"? Que "é tão caro um aborto e que por isso devemos ser contra"? Dá vontade de dar o par de estalos necessário e depois explicar à pessoa que a esperança médida de vida em Portugal, à nascença, é de cerca de 70-75 anos. E que temos um Estado protector, ou seja, onde o acesso à Saúde é livre. Significa portanto que a pessoa que nasce tem cerca de 70-75 anos de protecção estatal pela frente. Será que fica mais em conta que um aborto?

Às vezes, para um argumento estúpido, só mesmo uma resposta estúpida.

E a questão principal é (como diziam acima): referenda-se a despenalização do aborto, não a sua liberalização...

 
At 6:42 da tarde, Blogger francesco said...

Salseira, estás a pôr na minha boca palavras que não disse, neste caso, escrevi. O capricho a que me refiro é a ideia lançada por alguns, de que crianças que não vão encontrar à nascença um lar que lhes dê conforto, etc, mais valia não nascerem. A isso eu chamo capricho. Porque é negar o direito à vida, com base num estado de alma.
Compreensível, certamente, mas não decisivo.

 
At 7:33 da tarde, Blogger Salseira said...

«..., o desejar-se ou não um nascimento, aos dias de hoje, com os métodos anti-concepcionais, e toda a informação existente, só mesmo por ignorância é que alguém cai nessa situação. Mas mesmo caindo, então estás a tomar o plano de deixar ou não nascer para a vertente do capricho, porque eu não quero, logo não deve nascer.»

Não me parece que tenha "posto palavras na tua boca"...

 
At 8:32 da tarde, Blogger Ze do Telhado said...

Não é um argumento assim tão ridículo, nem torna o discurso "bacoco", como referiu. Será secundário, talvez. Mas o objectivo é demostrar as pessoas que estão a financiar a morte com os seus impostos. Fechar maternidades por contenção orçamental e abrir clínicas de aborto financiadas directamente pelos contribuintes...é no mínimo esquisito.
Em cada Aborto, um bébé morto.

Cumprimentos

 
At 9:09 da tarde, Blogger francesco said...

Não vejo onde está a contradicção. Levantou-se o seguinte entendimento: as mulheres que não têm condições para dar um lar confortável deveriam poder abortar, em prol de um destino pouco afortunado do bébé. Então eu disse que, nos dias que correm, alguém que quer evitar esse destino infortunado, não deveria chegar a essa solução final do aborto, quando hoje com os métodos anti-concepcionais e tudo o resto, pode-se prevenir uma eventual indesejável gravidez.
Mas uma vez engravidando, a mulher que quer poupar esse destino fatídico pretende abortar. Então eu disse, nesses termos, tal soa a capricho, porque a vida que está a gerar é igualmente digna, e não merece que lhe cortem essa expectativa de ter o direito a nascer.

 
At 5:18 da manhã, Blogger quima said...

Nenhum método anti-concepcional é 100% seguro e nem todas as mulheres podem, sequer, usar os mais seguros. Presumo que devam recorrer à abstinência sexual, porque sexo é só com fins reprodutivos, certo? Já agora, os homens também. Ah!, pois é! Os homens não engravidam! Bolas!

 
At 12:22 da tarde, Blogger bitter_sweet said...

Esta é uma discusssão sobre o que vai consciência de cada um e cujas convicções não se mudam só porque sim. Apenas deixam nervinhos, porque o outro nem sequer vê o nosso ponto de vista, penso eu de que.
O que está em causa é a despenalização, e isso não obriga ninguém a abortar, ao passo que a penalização não o impede e põe em risco a saúde da mulher. Sendo que os casos conhecidos são aqueles que correm menos bem e acabam nos hospitais a malbaratar os dinheiros públicos, como por aí dizem.
Gostava que cada pessoa que convictamente vota Não tivesse a coragem de entregar à polícia cada filha ou amiga que tenha, se a mesma tiver feito ou vier a fazer um aborto. O crime não está só em casa das outras e o Não não é Não só às vezes.

 
At 10:04 da tarde, Blogger Salto Angel said...

«Despenalização»?? É piada, não é? Só pode!! Dêem-se ao luxo de ler o artigo 142º do Código Penal!!

Caso não possam criar uma bebé, criatura inocente, dêem-nas às Instituições e Hospitais!!

Alguém sabe de cor o artigo 1º dos Direitos do Homem? É o DIREITO À VIDA!

 
At 4:11 da tarde, Blogger João Bizarro said...

Isto realmente é de ir às lágrimas...
Enfim... Esta gente dá a entender que se a lei for aprovada cada gravida vai abortar.

Apesar de passar 30 e tal anos do 25 de Abril este país ainda continua preso a muitas amarras.

Por mim ia já para a Holanda...

 
At 8:41 da manhã, Anonymous Anónimo said...

Agora imagem o que é ter o homem que elaborou esse cartaz e essa ideia, duas vezes por semana diante de mim na Faculdade.

 
At 2:16 da tarde, Blogger Ice-device said...

Caro pedro: Ainda que seja defensor do "não" não concordo com a argumentação economicista. Nós não escolhemos para onde vai o dinheiro dos nossos impostos. Também não gosto de pagar as regalias dos médicos e indirectamente tamb+em pago. é um argumento intelectualmente pobre e acho que tens razão.

O problema, é que um dos argumentos do " sim" é o facto de se poder tirar a vida do feto só porque a mãe não tem condições económicas. Ora como sabemos, a vida é feita de muitas mudanças e adaptações. Logo não parece também pobre intelectualmente não deixar nascer uma pessoa baseada no rendimento actual da mãe?

[by the way, és o melhor pivot de rádio deste país!]

 
At 2:17 da tarde, Anonymous Anónimo said...

faz lembrar certa campanha eleitoral
"se for primeiro ministro só haverá dinheiro para o aeroporto quando houver dinheiro para acabar com as listas de espera"

ja agora? qual a relação de orçamentação, e dinheiros privados ou publicos, entre os transportes e a saude?

 
At 2:47 da tarde, Anonymous Anónimo said...

faz lembrar certa campanha eleitoral
"se for primeiro ministro só haverá dinheiro para o aeroporto quando houver dinheiro para acabar com as listas de espera"

ja agora? qual a relação de orçamentação, e dinheiros privados ou publicos, entre os transportes e a saude?

 

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