quarta-feira, novembro 10, 2004

A Fragilidade

A fragilidade nossa está nos gestos
Nos silêncios
Quanto mais longos, mais frágeis, mais intensos

Quanto menos percepctiveis e espessos, mais perigosos
Os silêncios, palpáveis e pesados
Quase sempre misteriosos
E ao mesmo tempo
Indiscretos
Tantas vezes

A fragilidade de tudo o que sentimos
Está em tudo o que calamos
Nas vontades que escondemos
Nos perigos todos que inventamos

A fragilidade do que sentimos
Pode quebrar-se com pouco, é certo
Uma promessa de um sorriso
em cada silêncio perene
É uma força que aparece
De um gesto qualquer que esteja certo
E nos mostre a tempo, mesmo a calhar
Tudo o que de tão frágil e importante se perde
Se, por acaso
desviarmos o olhar.

Se nada se disser
E de repente o tempo passar

94.Setembro.12

9 Comments:

At 5:37 da tarde, Blogger nuno said...

Pedro.
És mesmo tu?
Não posso crer que tenha descoberto assim, um blog teu, apenas clicando no botão "Next Blog".
Ando para te dizer isto há uns tempos...
Fiquei muito triste quando desapareceste da BestRock. A princípio não percebia o que se passava... Tinhas ido de férias (nunca ouvi uma despedida...) E nunca mais voltavas... Depois, o Markl... E a Maria nunca mais...
Até que um dia... De manhã...
Vou à cozinha e a minha mãe estava a ouvir o RCP.
Foi uma cena épica, tipo: "Esta voz... Esta voz... Romeiro, quem és tu?" Não podia acreditar... tinha de ser apenas uma voz parecida...
Tentei ignorar.
Mas todos os dias aquela voz me assombrava os pequenos-almoços. E na Best, nada.
Até que ouvi o teu nome. E ouvi o teu "ou não... ou não..." E tudo se desmoronou.
Pedro...
Como encaixas ali?
Como?
Não te sentes enclausurado?
Onde está a parvoíce? O à-vontade?
Aquilo é tão "a sério"...
Escusado será dizer que nunca mais ouvi a Best. Andei umas semanas a tentar descobrir quem me acordasse todos os dias. Voltei à Comercial e desesperei. Era muito mau. As vozes... as vozes deles não combinam com os meus ouvidos. Experimentei a Mega (Herege! Gritaram alguns... mas tive de experimentar...) mas são parvinhos demais, muito suburbanos e muito pouco urbanos (que é como quem diz, sofisticados). Como tu, o Markl e a Maria eram.
Agora ando na RFM. É o mais aproximado que os meus ouvidos conseguiram encontrar. Mas ainda não me habituei. Ainda não.
Sinto a vossa falta. Sinto a tua falta naquele ambiente.
Um abraço!

 
At 5:46 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Bem que profundo!!! Merece silêncio... não daqueles incómodos que nos fazem olhar para o infinito, roer as unhas ou acender um cigarro... Merece silêncio de partilha, em que não é preciso dizer nada, basta olhar!
"A fragilidade de tudo o que sentimos
Está em tudo o que calamos
Nas vontades que escondemos
Nos perigos todos que inventamos"
A verdade absoluta!!!
PARABÉNS!!!

 
At 6:41 da tarde, Anonymous Anónimo said...

há dias que parecem noites sem fundo.. e noites que ficam demasiado densas e brancas quando o silêncio se torna a nossa arte. arte íntima de quem se esconde de si.. respira.. e aparece.. és sempre bem vindo! beijos. vk

 
At 6:43 da tarde, Anonymous Anónimo said...

há dias que parecem noites sem fundo.. e noites que ficam demasiado densas e brancas quando o silêncio se torna a nossa arte. arte íntima de quem se esconde de si.. respira.. e aparece.. és sempre bem vindo! beijos. vk

 
At 9:43 da tarde, Blogger P said...

Bem a parvoíce e tudo o resto que eu sou estão lá. É só dar o beneficio da duvida e tentar ouvir. :-)

 
At 10:17 da tarde, Blogger Molinhas said...

"Há prosas que valem por 1000 poesias..."
Escrevi eu, num dia de Outubro em que tu dizias que escrevias há muito tempo...
Mas esta "Fragilidade" tua é linda!!!
E é bom ler-te!!
"A fragilidade nossa está... nos silêncios, quanto mais longos, mais frágeis, mais intensos..."
Por vezes o silêncio vale por mil palavras e calados dizemos tudo... :)

 
At 12:33 da tarde, Anonymous Anónimo said...

O mundo anda louco, a começar pelas editoras...
Se algum comunicador com um valor irrepreensível como o teu pensa na possibilidade de editar um livro, seja com o que for, já por si só vale a pena apostar nele (e com a garantia de ser uma aposta ganha!).
E, se para além disso, ainda vai ser com poemas como este, só pode ter sucesso. Venha daí esse livro, seja com prosas ou poemas, há a certeza de que será um GRANDE livro!!!

 
At 12:45 da tarde, Blogger ateu said...

O Senhor da rádio também é poeta? Epah.. temos aqui o homem dos sete instrumentos, e com talento para tocar cada um deles, gostei muito.

 
At 5:51 da tarde, Blogger nuno said...

Bom, então sendo assim.. Temos "encontro marcado" amanha, sexta-feira, a partir das 7h30... :-)

Ah.. já me esquecia...
O meu blog... :-P
nunoduarte.blogspot.com

 

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