segunda-feira, março 26, 2007

Europa

Parece que a Europa está em festa com os 5o anos do Tratado de Roma, que deu o rigem aquilo que é hoje a União Europeia.
Ouvi o comentador Carlos Magno dizer na 6ªfeira passada, no rádio, que se sente "mais europeu que português". É uma frase de belo efeito, mas eu sou incapaz de a tomar como minha também. Vi depois, no Expresso, a reportagem sobre os tugas que trabalham nas instituições europeias, e algures diz-se que é fantástico poder, num raio de 400 kms, passar o dia entra a Holanda, a Bélgica, a França, o Luxemburgo e voltar a casa á noite. Talvez aí, no coração geográfico da Europa, seja mais óbvia essa consciência europeia, essa noção de pertença a um todo tão diverso. Mas aqui na periferia é mais forçado, parece-me. É magnifico fazer parte da UE, claro que é. E não o digo seguindo o principio chupista fútil da subsideo-dependência. A Europa é talvez o melhor continente do mundo para se viver. Portugal ganhou imenso em fazer parte da familia euro.
Para mim, olhando para os meus filhos, que já nasceram não só em liberdade e democracia, mas também num país da zona euro, vejo que eles têm hoje muito mais possibilidades do que a minha geração teve. A começar por essa possibilidade extradordinária, em termos escolares mas também, tanto, da chamada "escola da vida", que é o programa Erasmus, que a Europa nos trouxe.
Se fosse hoje, eu não hesitava.
Esta ideia de um espaço europeu sem fronteiras, com uma moeda única, esta noção de partilha é, além do mais, uma garantia (enfim, dentro daquilo que é razoável admitir como garantido) de paz, num continente que construiu esta união, aos poucos, a partir dos destroços de duas guerras devastadoras.
Mas há muito por fazer. Quando ouço dizer que a Europa consegue estar há 50 anos sem guerras e que isso é maravilhoso, lembro-me que, realmente, há muito para fazer. Entre 92 e 94 fui uma vez à Croácia e Eslovénia, e outra à Bósnia. Afinal parece que houve guerra na Europa há bem menos tempo, mas já há quem se esqueça disso. E a memória é um dos valores decisivos, é mesmo importante que seja preservado a todo o custo, para que a UE cresça sem fechar os olhos aos países que, sendo europeus, ainda estão à porta da Europa. E para que as novas gerações percebam...como foi antes esta Europa, para que possam, a cada momento, valorizar com critério a Europa que têm.
Ao passarem 50 anos sobre o tratado de Roma, claro que não posso dizer que me sinta mais europeu que português, até porque Portugal tem raízes noutras latitudes também. Somos mais que apenas europeus.
Mas ainda bem que fazemos parte.

11 Comments:

At 11:30 da tarde, Blogger BlueAngel said...

Concordo, ainda bem que fazemos parte!

 
At 1:25 da manhã, Blogger Patinho Feio said...

É verdade que na Europa Ocidental não há guerras (no sentido tradicional da palavra) há mais de 50 anos. Mas não nos podemos esquecer que até há bem poucos anos um muro dividia a capital do maior país dessa Europa (visitando Berlin custa a imaginar que foi há tão pouco tempo!), e que a Irlanda do Norte e o País basco não são prpriamente as zonas mais pacíficas do mundo...

 
At 11:13 da manhã, Blogger Ana said...

Ainda bem que fazemos parte, mas...primeiro portugueses e depois europeus...sempre! :-)

 
At 11:46 da manhã, Blogger Armador said...

Não sei se a Europa é o melhor continente para se viver, entre a Europa e o continente Norte Americano não sei qual o melhor

 
At 2:31 da tarde, Blogger wednesday said...

Eu não tenho dúvidas que a Europa é o melhor continente para se viver e por tudo, desde a História, da imponência, das paisagens, da variedade de pessoas e culturas, passando pelos alicerces sobre os quais construímos os nossos ideais, o saber co-habitar com outros países, a mobilidade, a cooperação científico-tecnológica, o partilhar do poder, a moeda única... E não sairia daqui se quisesse...

Concordo com o teu texto, mas também me sinto mais portuguesa do que Europeia. No entanto quando fiz o meu Erasmus no 5ª ano (já lá vão 5 anos), em que fui para a Alemanha e fiquei em Aachen (mesmo colado à fronteira com a Holanda e a Bélgica) notei que lá as pessoas não são tão pegadas a casa e são muito mais móveis. mas lá está. Estava a 1h e pouco de Bruxelas, 3-4h de Amesterdão, 1h de Colónia e por aí fora...

Agora que todo este conjunto de oportunidades só nos faz crescer mais íntegros, isso não tenho dúvida. Fazer 1 semestre ou 1 ano fora do nosso país é algo que irei recordar para a vida e que me fez crescer e aprender muito sobre mim. Só não gostei da parte de ter lá passado o Mundial 2002 que portugal fez muito má figura e ainda "gozaram" comigo... Mas o coração fez-me na Final entre Brasil e Alemanha estar dividida. Nunca a Alemanha vai ser mais um país para mim. Foi a minha casa durante 6 meses e gostei mesmo muito!

 
At 9:06 da tarde, Blogger inês said...

Também não me consigo sentir mais europeia do que portuguesa, considero-me portuguesa acima de tudo, mas obviamente, inserida na Europa, ao fim e ao cabo, não estamos (mas já estivemos) orgulhosamente sós...
Ainda no ano passado também estive pela Croácia e Eslovénia e passei pela Sérvia e é incrível ainda o grau de pobreza e de destruição de certas zonas (à excepção da Eslovénia) e o mais curioso é o modo como as pessoas nos comboios e estações, autênticos desconhecidos, tinham como tema a sua própria situação enquanto Ex-Jugoslávia...
Não conheço a América do Norte, mas a verdade é que ninguém me tira a velhinha Europa.

 
At 2:04 da manhã, Blogger Zorbas said...

A Europa, este nosso pequeno continente, é acima de tudo uma ideia, uma expressão cultural que une povos de várias nações. O facto de sermos europeus no mundo, e não apenas portugueses, é uma oportunidade. Quando saímos do nosso cantinho e constatamos como é viver num país pobre, enfrentar violência, viver com a desigualdade ostensiva, não ter possibilidade de expressar a nossa opinião de forma livre, então a consciência do que representa a Europa no Mundo parece-nos uma ideia incrível.
O país que temos é mais uma pequena gota neste "oceano", que se estivesse sozinho, não teria nem a potência, nem a genialidade da ideia que partilhamos com os restantes europeus.
Oxalá que, num futuro próximo, em África, nas Américas do Sul e do Norte e na Ásia encontrem ideias igualmente geniais e brilhantes que queiram partilhar com o resto do mundo.

 
At 6:25 da manhã, Blogger droff said...

Boas, Pedro.

Desde que me fiz emigrante (agora em Inglaterra, previamente na Irlanda do Norte) tenho vindo a sentir-me cada vez mais Portugues.

Parece que tive mesmo de sentir "a saudade" para me aperceber disso. Serah por isso que o raio da palavra soh existe em Portugues??

Ironico que se nao fosse pela CEE/UE, eu nao teria a oportunidade (ou tanta) de me fazer alguem cah fora, para poder voltar um dia (espero) com algo para dar.

Mas no fundo, a europa eh um misto de tribos que nao querem mudar. E ainda bem.

Abracao de Bolton,
droff out

 
At 2:39 da tarde, Blogger Just a blog said...

Pois pena é que não temos politicos a altura para defender os nossos interreses.
Mas outra coisa não concordo e porque é que existe uns mais que outros, vejam la a Inglaterra se trocou as Libras pelo Euro?? e os agricultores Franceses e Ingleses,Alemães que recebem subsidios para plantar e aumentar a produção e os nossos para não cultivar.

 
At 10:28 da manhã, Blogger Picadorinha said...

claro q a Europa é o melhor continente pra se viver, não há dúvidas (os muito, muito ricos talvez vivam melhor noutros, tipo América do Norte, mas isso são excepções)

E agora sendo mázinha: há tanta gente a dizer q "Portugal é Lisboa e o resto é paisagem" q visto por esse lado (e só por esse) talvez me sinta mais Europeia q portuguesa... ,-)
Viva Portugal, e viva a Europa unida - até pq é um facto q a U.E. respeita melhor as regiões e suas diferenças q Lx... mais um motivo pra estarmos melhor agora.

 
At 3:18 da tarde, Blogger Álex said...

concordo com o que diz e com o "patinho feio": é bom não esquecer que dentro desta área chamada Europa ainda hà pouco havia, e persistem ainda, situações "quentes".
Mas penso, sobretudo, que é mto importante educarmos os nossos filhos "com perspectiva" ou seja, para que saibam o que aconteceu por aqui há pouco e o que custou chegar onde estamos.
Hoje os jovens têm dificuldade em perceber como era viver sob uma ditadura, quanto mais em guerra!
A guerra ainda a vêm nos filmes, mas não têm noção do que era não poder votar, não poder formar uma associação, não poder emitir opiniões livremente como aqui o fazemos por exemplo na blogosfera, enfim...

 

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