segunda-feira, outubro 30, 2006

Como uma sombra deslizante num muro que era branco.

Eu hoje vi uma mãe que precisava de um regaço
De um colo de menina
De um chão que não fugisse
Eu hoje vi uma mãe perdida

Eu hoje vi uma menina quieta no susto que a tomou
Uma menina que parece um anjo
à espera que o tempo passe e se explique.
Sem que ainda o perceba ou antecipe.

Eu hoje vi um pai e uma mãe que morreram um pouco
Violentados pelo que não tem sentido
nem nunca terá
Trarei os seus gritos lancinantes na cabeça
muito, muito, muito tempo.

16 Comments:

At 10:07 da tarde, Blogger PAH, nã sei! said...

"à espera que o tempo passe e se explique."

será que alguma vez compreenderá??

 
At 10:17 da tarde, Blogger binladenparte2 said...

Hoje, a tragédia o horrer(e).
Bem meu amigo este post, é de véras dramático.
Hasta la vista
Bin Laden parte2

PS: Há (gajos)indeviduos com muita sorte (Hawai), há vais, vais.

 
At 10:20 da tarde, Blogger binladenparte2 said...

Só mais uma coisa, não sei quando é a viagem, mas quando for, BOA VIAGEM!!!!
Hasta la vista
Bin Laden parte2

 
At 10:22 da tarde, Blogger catarina said...

há coisas que não se explicam. limitam-se a doer o resto da vida, se é que há efectivamente vida depois da Vida.
José Luís Peixoto dizia:
"Pai. Deixaste-te ficar em tudo. Sobrepostos na mágoa indiferente deste mundo que finge continuar, os teus movimentos, o eclipse dos teus gestos. E tudo isto é agora pouco para te conter. Agora, és o rio e as margens e a nascente; és o dia, e a tarde dentro do dia, e o sol dentro da tarde; és o mundo todo por seres a sua pele. Pai. Nunca envelheceste, e eu queria ver-te velho, velhinho aqui no nosso quintal, a regar as árvores, a regar as flores. Sinto tanta falta das tuas palavras. Orienta-te, rapaz. Sim. Eu oriento-me, pai. E fico. Estou. O entardecer, em vagas de luz, espraia-se na terra que te acolheu e conserva. Chora chove brilho alvura sobre mim. E oiço o eco da tua voz, da tua voz que nunca mais poderei ouvir. A tua voz calada para sempre. E, como se adormecesses, vejo-te fechar as pálpebras sobre os olhos que nunca mais abrirás. Os teus olhos fechados para sempre. E, de uma vez, deixas de respirar. Para sempre. Para nunca mais. Pai. Tudo o que te sobreviveu me agride. Pai. Nunca esquecerei."
Não sei se ainda estás a falar da menina que perdeu o pai, ou se eu é que não a consigo esquecer e a leio em todas as tuas palavras...

(segunda-feira tramada, ah? um abraço)

 
At 10:24 da tarde, Blogger ... said...

Eclesiastes 7:2 Melhor é ir à casa onde há luto do que ir à casa onde há banquete, pois naquela se vê o fim de todos os homens; e os vivos que o tomem em consideração.

Eclesiastes 7:4 O coração dos sábios está na casa do luto, mas o dos insensatos, na casa da alegria

Desculpa mas tinha de dizer isto...

Hoje, eu, estou contigo!
Abraço Forte

 
At 12:31 da manhã, Blogger Dois Caracteres said...

Sempre à espera de alguma coisa... ou nada!
Belo escrito

 
At 12:42 da manhã, Blogger BlueAngel said...

As tuas palavras tocaram e doeram de tão cruas que são e verdadeiras que se apresentam. Estes momentos nunca nos saem da cabeça e nunca vai haver maneira de explicar pq aconteceu e nunca a criança va i perceber pq ela, mesmo quando for adulta. Porque há coisas que não se xplicam, mas são sempre certas. Nunca estamos preparados para enfrentar a morte, por mais que pensemos que sim ela atinge-nos sempre de surpresa e deixa-nos sempre sem gota de sangue para respirar ou para pensar. Adorei o teu tezto, P. Amanhã vai ser menos complicado, vais ver, mas nunca se esquecem certos momentos simplesmente porque sentimos e somos humanos,

 
At 1:00 da manhã, Blogger McLUIS said...

Tristes momentos, estes...

Um abraço

 
At 10:40 da manhã, Blogger Šonђo Ažu£ said...

Não há uma unica palavra que se possa assemelhar ao que sente aquando de uma fase destas da vida.
O silencio é quem melhor explica, quando o Fim chega, ainda que tudo indicasse que não era para já! Não devia ser assim, mas infelizmente é.
Fica a dor. Uma dor que só o tempo transforma numa saudade eterna e que dura mesmo para sempre!
O saber que não voltaremos a olhar nos olhos de quem mais amamos.

Um grande beijo

 
At 11:35 da manhã, Blogger fantasma said...

Abraço, Pedro.

 
At 11:41 da manhã, Blogger Cereja said...

É por isso, por causa destes momentos e de outros assim que não podemos deixar para dizer logo o "Gosto de ti" que sentimos agora, ou o "Amo-te", o "és tão importante para mim..", ou mesmo a festinha ou o beijinho, ou o piscar de olho...porque não sabemos se o logo chegará. Podemos deixar para logo, sim, a raiva, a irritação, a falta de paciência, os amuos ou os lamentos por aquilo que não temos, esses nunca nos farão falta, mas os que amamos e o que de bom partilhámos com eles vão estar sempre connosco, mesmo quando a presença física deixar de ser uma realidade....

 
At 12:26 da manhã, Blogger ana said...

não sei se alguma vez sentiste a tua alma sair do teu corpo.... foi isso que senti quando li o teu post!! que dor... vou para a cama da minha filha agora dar-lhe beijos e dizer-lhe que nunca vou deixar de olhar por ela!!! só tu para me fazeres chorar....

 
At 1:18 da tarde, Blogger Ana said...

Eu hoje passei pelo blog de uma pessoa que nao conheço e senti a dor que ela sente. Um poema lindo que me trouxe as lágrimas aos olhos. Espero que a dor se atenue. Abraço. e obrigada por animares as minhas manhãs.

 
At 3:38 da tarde, Blogger RT said...

Viva shôr Pedro, então como vai o nosso benfica?
Convido-o a dar uma olhadela no meu humilde blog: www.rt-omeublog.blogspot.com
Abraço ;)

 
At 1:03 da tarde, Blogger André said...

imagens fortes e impactantes!

 
At 4:37 da tarde, Blogger Vera said...

Tocante mesmo... dramático. Mas escreves de uma maneira excelente, em que sentimos no coração cada palavra, parecendo que estamos a observar a cena com a alma...
Adorei!
Beijinhos!

 

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